Estando com
amigos a pedalada já é prazerosa, mas com “esse amigo” foi demais. Saímos bem
cedinho e na primeira pedalada já
começamos a prosa. Eu falava “como pobre na chuva” e ele escutava pacientemente
todos os “causos”. Rimos muito... nos divertimos... Durante o trajeto ele me
mostrava as coisas que tinha projetado e realizado. Fiquei “de cara” com a
maravilha das coisas que foram feitas por ele. Me falou de suas preocupações
comigo, com todos os membros do grupo e, quando assustei já me falava que
preocupava mesmo era com todo mundo... Pensei...Mas com todo mundo? O “cara”
tem um coração meio grande demais... Em meio às gargalhadas ele me falou os “maus
bocados” que tinha passado por causa dos outros, mas que mesmo assim tinha
aprendido com seu Pai que deveríamos confiar sempre nas pessoas. Quando
perguntei sobre seu pai, aí ele ficou doido... Falava que ele era demais.... aí
que vi que meu parceiro de pedalada falava muito mais do que eu... e que amava
incondicionalmente seu Pai... Fiquei maravilhado com as histórias que ele
contou... não sabia porque, mas já as tinha escutado em outra ocasião... Enquanto
o ouvia pensava quando na verdade tínhamos nos conhecido. Lembrei que desde os
primeiros dias de vida tinha sido apresentado a ele por minha mãe (que é fã de
carteirinha!). Aí fui me lembrando de onde o conhecia... Quando fui me despedir
ele me deu um abraço forte e caloroso... Senti a plenitude de um sentimento
naquele gesto... Não sei porque mas senti que me amava... Voltei pedalando para
casa com a certeza de que sempre estaríamos juntos... Ahhhh... me desculpem...
O nome dele? Jesus... Você o conhece
também?
Muitos “mangam” de mim quando falo que acordo antes do sol nascer aos finais de semana para dar uma voltinha em minha “magrela”. “Mangam” mais ainda quando me veem pelas ruas da Belô todo equipado, de capacete, calça de lycra (claro que a especial para pedalar), de óculos amarelo (tipo Bono Vox), sapatilha no pé e uma garrafa lotada de “Malto” pronto para encarar as estradas suando feito uma “tampa de chaleira”. Pois bem. Qual é o limite? Quando estamos na “correria” do dia a dia, mal observamos as estações do ano, os Ipês plantados na Av. Amazonas que florescem deslumbrantemente na primavera e movimento fantástico do Sol na travessia diária do céu, mal ouvimos o som dos grilos e poucos pássaros que restam na ilustre lagoa da Pampulha. Sabem por que perdemos tudo isso? Porque mal saímos de dentro do carro com os vidros fechados receosos, mal saímos do trabalho cada vez mais acumulado e de casa nos momentos de descanso, criando assim apenas uma visão do mundo pelas janelas com qual ...

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